Tecelagem do papiro amar

Jaqueline Jales

Transviado papel, que nem nele posso derramar
meu desejo...
...derramo na tela solitária sem ti
Mas o breve instante encontra a boca tua nua
À espreita nesta noite de Lua Cheia
meus instintos ainda míngua
quero logo o porvir
sem minguante desejo
sobrepuja a carícia Cheia
Esta distância
que nos arranca a esperança
se distorce nos movimentos graciosos
da boca tua a sugar e enrolar,
deslizando
em palavras minhas
e soa o suspiro que tanto preciso
na pausa de teu sorriso
Sabes que és minha?
pelo menos neste instante és!
Em que desnuda
toque as letras em torque
os lábios teus ainda minguados
em tua língua
sobre ponho minha língua
faminta
nas doces
sedentas palavras
ouve a pausa
que separa esta vírgula, tua incerteza
grite seu coração e desfaça a vírgula
vamos fazer a mais bela palavra composta
beija-me
quero te revelar os poros
em meu paladar
para assim poder meu canto desfrutar
de teu encanto
quero absorver em minha pele
a seda que te torna tão macia
e nela deslizar as trovas mais rítmicas
sonetos altazes
forazes
de ternura e paixão
-Entrega-me a harpa
que o medo em meus dedos
nela escapa
no teu ouvido
susurros
o segredo jamais dito
segredo adentra tuas entranhas
na fusão de nossos corpo a vulcanizar
a melodia sinérgica de amar